POSTO ORTEC

FICHA TÉCNICA

Arquitetura predial e interiores | Comercial

arquitetura: Rafael Biscaia + Eduardo Brugnoli

cliente: Ortec

área: terreno: 3.360,00 m² | construída: 538,71m²

localidade: Ibiporã | Paraná | Brasil

imagens: Rafael Biscaia

ano: 2023 - 2025

  • Implantada em um lote urbano de esquina, a loja de conveniência do posto ORTEC se insere em um contexto de circulação intensa e uso misto, operando como um dispositivo que articula fluxos — tanto veiculares quanto pedestres — e organiza o cotidiano urbano em torno de um programa comercial de escala contida.

    A proposta parte de uma lógica funcional clara, distribuindo os usos em dois pavimentos. No térreo, concentram-se os setores de atendimento ao público, exposição de produtos, produção e áreas técnicas. A organização espacial responde à necessidade de eficiência operacional, mas também à intenção de criar percursos intuitivos e relações visuais francas entre os ambientes. No pavimento superior, localizam-se os espaços administrativos e de apoio aos funcionários, com acesso controlado e autonomia funcional, reforçando a hierarquia programática sem comprometer a continuidade espacial.

    A implantação respeita os limites físicos e simbólicos do lote, posicionando o edifício de forma a dialogar com a cobertura de abastecimento e com o entorno imediato. A arquitetura não se apresenta como objeto isolado, mas como parte de um sistema urbano, permeável às dinâmicas externas e atento às condições locais.

    Do ponto de vista construtivo, o projeto adota uma linguagem direta e precisa. A escolha de materiais — como revestimentos cerâmicos, estruturas metálicas e painéis em madeira — revela uma preocupação com a durabilidade e a legibilidade técnica. A transparência das esquadrias e a presença de vegetação integrada ao espaço contribuem para uma ambiência que, embora funcional, não abdica da dimensão sensível.

    A volumetria é contida, articulada por planos e aberturas que criam ritmo e profundidade. A modulação das superfícies e o uso de materiais naturais contribuem para uma presença discreta e integrada ao tecido urbano, reforçando a ideia de que a arquitetura pode ser silenciosa, mas significativa.

    Em síntese, trata-se de uma arquitetura que reconhece sua função comercial, mas que também se abre à cidade, ao cotidiano e à experiência do usuário. Um edifício que, mesmo em sua escala reduzida, propõe uma leitura crítica do espaço urbano e da prática arquitetônica contemporânea.

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